Contos: Conto de Caripa - A Dor da Lei

26 novembro 2011

Jéssica estava decidida a enfrentar tudo que passasse pelo seu caminho. Ela queria loucamente encontrar Lucas. Haviam se passado longos meses que o novo rei assumira seus postos e começara a dar seu toque de gênio por toda a região de Caripa.
Regiões estavam em uma guerra interminável onde o rei morreu batalhando pela paz. Seu filho mais velho Raniel assumira o trono, ele era horrível todos o detestavam, ele era movido por inveja principalmente aquela que ele guardava de seu irmão Beto que sempre conseguira o que queria até mesmo a sua amada.
Raniel impôs tantas mudanças que mal poderiam ser contadas a dedo, sendo uma delas a que mudara completamente a vida de Jéssica. Ele havia declarado que nenhum casal deveria continuar junto, que excesso de sentimentos traria preocupação aos homens. Todos os homens foram enviados a um quartel que tinha várias tendas para cada um deles, formavam uma grande tropa. Lá eles eram submetidos a treinamentos desgastantes por todo o dia e não podiam sequer pensar em folga, pois o único pensamento no qual o rei queria que fosse mantido era de guerra. No seu primeiro anúncio ele disse:
            - Se arrependerá amargamente aquele que ousar voltar-se contra as minhas ordens.
Mas quem disse que Jéssica se importava? Ela estava disposta a correr qualquer risco, pois ao contrário do rei ela era movida por um forte amor, um amor que ela não havia declarado a Lucas. Ela precisava encontrá-lo e dizer-lhe o que sentia. Foi nesse intuito que ela arquitetou seu plano. Por duas semanas ela conhecera os hábitos de cada dia da semana, observou cada detalhe até saber exatamente onde pisar e onde se esconder.
Chegara o grande dia, ela sabia que não correria perigo, já havia planejado tudo. Pegara uma mochila e armara um piquenique como todos os tipos de comida que ele gostava de doces a salgados, de industrializados a naturais. Ela mesma havia colhido as uvas mais doces e mais verdes como ele gostava. Só pensava em estar ao lado dele, saboreando cada segundo.
Poucas horas para o grande “ataque”, ela observava os últimos detalhes. Cravou seus olhos novamente pelo quartel e conferiu a mochila, tudo em ordem. Tudo estava calmo, sem rei, sem guardas, sem interrupções. Antes de tudo ela tomara alguns goles de água e um bom tanto de ar, precisava de toda calma e de fôlego para a corrida que faria até a tenda de Lucas. Era a hora.
Ela passou tão silenciosamente com seus sapatos baixos com solado de borracha escolhidos perfeitamente para a ocasião. Ela errara apenas no vestido que era longo demais para correr, teve que fazer certo esforço para chegar rápido a tenda, mas ela já estava lá não era um vestido que à impediria.
Lucas estava sentado em sua cama, os olhos presos em vários papeis que pareciam cartas antigas. Quando ele a viu olhou assustado, enquanto ela ofegante pela corrida, tentou dar-lhe o melhor sorriso. Esperando que ele corresse até ela e lhe desse um abraço seguido de seus beijos calorosos ela jogou a mochila no chão já com os olhos cheios de lágrimas. Mas ele não o fez! Ele levantou-se num pulo e do mesmo lugar que estava falou:
            - Você não deveria estar aqui.
            - Eu sei, mas precisava te ver – ela respondeu engolindo as lágrimas de felicidade que transformaram-se em lágrimas de tristeza – eu precisava te dizer que...
            - Não! É muito perigoso. Você conhece o rei ele costumava freqüentar a vila, - o rei sempre fora a vila, mas ao contrário de sua família ele não era simpático – ele ia à sua venda para te... – ele não conseguia terminar a frase.
            - Para me humilhar – ela disse secamente – Eu sei de tudo isso melhor do que você pensa. Não tenho medo dele, me acostumei a suas palavras duras. Não me importo com os riscos que corro... Só o que importa é você, nós. Vim aqui por nós, não consigo ficar longe de você.
Ele ainda estava parado, não queria magoá-la ele também sentia saudades, mas também sentia preocupação. Ela pegou a mochila e organizou todo o piquenique no chão, sentou-se o olhando esperando que ele sentasse junto a ela. Por um segundo ele hesitou, mas sentou-se. Ela pegou um dos cachos de uva e deu-lhe uma.
            - Sei que não foi boa idéia vir até aqui, mas você poderia ao menos dizer algo. Não fique me olhando como se tudo que eu fiz fosse o maior erro. Se preferir que eu vá embora, eu v... – ele a interrompeu.
            - Não, não vá. Seu ato foi arriscado, mas foi a melhor coisa que já fizera por mim, só estou preocupado com sua segurança. – ele agora a olhava daquele jeito que ela conhecia, olhos carinhosos – Você foi a melhor coisa que me aconteceu desde que meus pais viajaram para a guerra. Eu sempre a desejei, sempre quis-te-la em meus braços.
Agora ele havia levantado e deu os barcos para que ela se apoiasse e fizesse o mesmo. Quando estavam na mesma altura ele a agarrou batendo seu corpo no dela, e como chicletes eles permaneceram ali grudados, ofegantes olhando um para o outro. Até que seus lábios se encontraram e eles trocaram um beijo ardente de saudade e desejo. Com os olhos cheios de água ela disse:
            - Lucas, acredite eu te amo e meu coração pulsa a cada segundo só de pensar em você. Eu te amo e nunca, mas nunca te deixarei.
            - Suponho que você não tenha tanta certeza do que diz JÉSSICA. – era Raniel, ele entrara tão silenciosamente quanto ela e ao dizer seu nome faltou cuspir, como se o gosto daquelas palavras lhe causasse náuseas. Ela não percebera, mas Lucas agora estava lado a lado com ela – Quanta petulância vendedorazinha.
            - Ela já estava de saída, veio apenas entregar-me alguns agrados.
            - Não pense que sou tolo meu caro. Sabemos muito bem o que ela faz aqui. E acho que não há me deixado escolhas certo! – no mesmo instante que ele pronunciara suas palavras, havia sacado de seu cinto uma arma e apertou firme o gatilho soltando uma bala certeira no peito de Lucas que caiu aos pés de Jéssica – Nenhum – agora ele falava sério, mas com um leve sorriso no canto dos lábios – nenhum guerreiro meu se comprometerá, sentimentos que envolvam outras pessoas que não seus companheiros de batalha são empecilhos em meus caminhos e devem ser eliminados. Aproveitem os últimos segundos.
Saindo da tenda Raniel deixara Jéssica caída com Lucas em seus braços chorando. Enquanto ele cuspia sangue ela viu as palavras se formarem em seus lábios: Eu sempre te amarei!

12 comentários:

  1. Muito legal o seu blog.
    Sou do grupo das blogueiras amigas do face.
    Venha visitar o meu cantinho e seguir
    http://maosdemocas.blogspot.com/
    Bjs

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  2. Obrigada, já estou seguindo meu bem.
    Beijos

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  3. Este comentário foi removido pelo autor.

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  4. que interessante seu blog e que ótimo seus contos. Beijos

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  5. Parabéns pelo conto, Raquel. É muito bom mesmo. Continue a escrever.

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  6. Miranda!
    Fico muito feliz em ler um conto dessa qualidade, parabéns!
    Bom domingo!
    cheirinhos
    Rudy
    http://rudynalva-alegriadevivereamaroquebom.blogspot.com/

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  7. Fico feliz que gostaram. Obrigada, vou publicar outros depois.
    Beijos

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  8. Gostei muito do conto menina, impressionante, você escreve muito bem. Espero um dia poder ler o livro inteiro.
    Beijos!

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  9. Obrigado, mas esse foi somente um conto, um outro livro ainda está em uma outra fase.
    Beijos

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  10. AAh, pensei que não ia postar.
    Faz um tempinho que eu li esse conto ainda estava em fase de revisão.
    Não custa nada ler de novo.
    Sucesso nega!!

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  11. Fiquei pensando se ia postar ou não. Obrigada o mesmo para você.

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  12. Oh Meu Deus, que triste. Não sei se estou sentindo raiva ou tristeza. Acho que pode virar um ótima história, com muitos capitulos.
    Beijos.

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