Geração apresenta: Nikolaj Frobenius

02 agosto 2013

Nikolaj Frobenius um dos maiores escritores noruegueses da atualidade, sua obra de estreia no Brasil não poderia ser mais instigante: trata-se de nada menos que um suspense psicológico centrado na pessoa do grande poeta e contista norte-americano Edgar Allan Poe (1809-1946), criador do gênero policial na literatura.
Perpetuamente afligido pela pobreza e angustiado com a enfermidade da sua frágil esposa, o jovem poeta toma conhecimento de que assassinatos macabros, grotescamente semelhantes aos seus contos de terror e mistério, andam sendo cometidos. Quem será o criminoso, e qual o seu objetivo ao imitar dessa forma as histórias do autor de "O Corvo", e "Os assassinatos na rua Morgue"? Ficamos sabendo então que Poe conhece de longa data o monstruoso assassino, mas à polícia nega saber algo sobre ele, com medo de se comprometer.
Paralelamente, o escritor é sabotado em sua carreira e nas suas tentativas de ascensão social pelo crítico Rufus Griswold, que dedica a Poe um misto de profundo ódio e incondicional admiração. A vida de Poe é cercada de mistério e circunstâncias inexplicáveis, as quais este romance procura explicar. É sabido, por exemplo, que Poe se mudou para Fordham no auge da sua carreira, mas não sabemos por que foi embora de Nova York, onde começava a fazer grande sucesso com suas obras.
O que o teria compelido a deixar a metrópole no momento em que mais lhe convinha permanecer nela? Estaria fugindo de algo... ou de alguém? Outro fato conhecido é que, pouco antes de morrer (de causa desconhecida), ele balbuciava um nome, que ninguém conseguiu identificar: "Reynolds". Quem era esse Reynolds?
Confira também o book trailer do livro.

Publicado em quase todos os países da Europa e traduzido em dez idiomas, este romance premiado, que discute os limites da criação literária e a responsabilidade moral da arte, foi recentemente plagiado por Hollywood, numa fraca adaptação para o cinema intitulada O Corvo, estrelado por John Cusack no papel de Poe, e inspirou a série de suspense The Following.

Veja a entrevista que a Geração fez com o autor. E a polêmica do plagio.

Como e quando teve início a sua fascinação por Edgar Allan Poe?
A primeira vez que ouvi um conto de Edgar Allan Poe foi durante uma viagem que fiz com meu pai quando eu tinha 13 anos. Era outono e fomos para um chalé no bosque, na região leste da Noruega. Estávamos em meados de outubro e o clima encontrava-se úmido e sombrio. O chalé era isolado, não havia eletricidade e a atmosfera era soturna — perfeita para uma historinha horripilante. Não havia TV e nem radio no chalé, nenhum acesso a entretenimentos modernos, mas ao anoitecer meu pai tirava um livrinho da estante e lia um conto para mim. A história era incrivelmente simples, sobre um homem que vagueia pelas ruas da velha Londres, observando as pessoas, entusiasmado com a atmosfera febril da metrópole. Ele se senta num café para descansar. Na multidão à sua frente, vislumbra um homem muito velho percorrendo a praça sem rumo. Por curiosidade começa a seguir o velho através de ruas e vielas estreitas, durante horas. O velho apenas anda e anda, sem direção, sem propósito, e no final o narrador desiste. Não há objetivo, não há motivo algum, apenas caminhar sem fim. Esse é o enredo do conto de Poe “O homem na multidão”. É incrivelmente simples, quase absurdo. Mas o modo como foi escrito, o terror reprimido do narrador e as aleias escuras da velha Londres, causaram uma tremenda impressão em mim quando eu era garoto. Continuei a ler os contos de Poe e, mais tarde, interessei-me também por seus ensaios e poemas. Seus contos são de suspense psicológico e acho que foi essa combinação que me fascinou: o horror da alma.
O seu livro traz uma ligação bastante sutil entre Griswold, Poe e Samuel, o assassino. Griswold condena Poe por ser amoral como escritor e como poeta, ao passo que Samuel — o homem que comete assassinatos sangrentos inspirado pelos contos de Poe — é um personagem completamente amoral. Seria isso um modo sutil de sugerir que Griswold tinha razão em sua opinião de que a poesia deve sempre ter uma justificação moral?
No que se refere a Samuel, acho que as ações dele dificilmente podem ser compreendidas como algo além de um terrível mal-entendido. Mas creio que também demonstra a vulnerabilidade da literatura. Não existem garantias, para o escritor, de que ele será entendido, e textos às vezes podem ser mal interpretados de formas muito destrutivas. Mas há outra camada no romance que se ocupa — como você mencionou —, do subtexto amoral dos escritos de Poe. Assim, embora Samuel Reynolds seja com certeza o tipo de fã obcecado que nenhum autor deseja ter, ele foi influenciado pelo elemento misantrópico do universo de Poe. A atmosfera de perigo nos contos de Poe também está associada aos elementos de violência e horror da sua ficção, ele tem um autêntico instinto para isso. O que talvez explique por que Poe continua sendo um escritor tão controverso.
Quem são seus escritores favoritos e de que modo eles inspiram você?
Li Edgar Allan Poe quando adolescente, juntamente com Dostoievski e William Faulkner. O material “dark”. Mais tarde, passei a ler de forma mais abrangente e tive uma forte queda por escritores sul-americanos, como Borges e Bolano. Sempre apreciei o gênero noir e recentemente li muita coisa do escritor norte-americano de literatura pulp David Goodis. Sujeito perturbado. Escreve formidavelmente.
A sua ideia para o romance Vou lhe mostrar o medo é exatamente a mesma do filme O corvo, que estrelou John Cusack no papel de Poe, mas o seu nome não foi mencionado nos créditos. Foi plágio ou você fez algum tipo de acordo com os produtores do filme?
Bom, às vezes acontece de você ter uma ideia realmente boa e então alguém a retalha toda e finge que é dele. Isso não contribui muito para a minha boa opinião sobre a humanidade, mas não há dúvida de que existem por aí abutres à procura de ideias para adotar, roubar e devorar. Na verdade, o filme foi bem decepcionante, a ideia acabou sendo melhor que o próprio filme, o que me parece justo: se você rouba as ideias dos outros, receberá algum tipo de castigo no final.
Não são muitos os autores noruegueses conhecidos dos leitores brasileiros. Em sua opinião, quem são os melhores autores da Noruega e o que você tem a dizer sobre deles?
A Noruega é um país pequeno, mas somos abençoados com uma literatura bastante rica, tanto tradicional quanto contemporânea. Knut Hamsun, o Dostoievski norueguês, Henrik Ibsen e Sigrid Undset são provavelmente os escritores noruegueses mais célebres. O bom a respeito da literatura norueguesa contemporânea é que existem realmente muitos estilos e perfis, há escritores jovens que mergulham na vida privada do aqui e agora, mas existem também alguns que procuram dar vida nova a gêneros antigos, como o noir, o romance político, etc.
Você está com algum projeto novo no momento? Pode falar a respeito?

Estou concluindo um novo romance, intitulado A maldição. É um romance sobre um romancista que escreve um romance autobiográfico a respeito da infância dele e de um incidente particular em que uma escola foi incendiada. O culpado é expulso da escola e, mais tarde, dado como morto. Porém, muitos anos depois, o piromaníaco volta para se vingar do modo como foi retratado no romance, e o romancista é lenta, porém inevitavelmente envolvido numa teia sinistra. Esse é o enredo, e no momento o meu trabalho consiste em tornar cada frase tão boa quanto possível.



Vou lhe mostrar o medo
Autor: Nikolaj Fobenius
Tradução: Eliana Sabino
Págs: 296
Edgar Allan Poe, o célebre poeta e autor de histórias de terror, bem como criador do gênero policial na literatura, é o protagonista deste romance de suspense psicológico, que discute os limites da criação literária e a responsabilidade moral da arte. Nele vemos o jovem escritor norte-americano afligido pela pobreza, angustiado com a enfermidade da sua frágil esposa e assombrado por um maníaco que comete assassinatos inspirados nos seus escritos, além de sabotado em sua carreira pelo crítico literário Griswold, que lhe dedica um misto de admiração e ódio.

5 comentários:

  1. Legal o interesse do autor no Alan Poe, até fascinante. *--*
    Não sei se leria o livro dele e nem do Poe. Não curti, mesmo. ahsuaha
    Beijo

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  2. gostei da capa que chama muito atenção, assim cm o autor
    lamourmonage.blogspot.com

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  3. Gostei da dica Raquel. Não conhecia o autor, mas curti bastante a premissa do livro dele. Parece ser uma obra bem interessante. Beijo!

    www.newsnessa.com

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  4. Ai Raquel que bacana esse post, pois eu não conhecia o autor e nem sabia que o filme foi um plágio do seu livro. Que u.O amiga!
    Cada vez mais o caráter das pessoas vêm diminuindo neh? E isso é tão triste...
    Enfim, curti muito saber um pouco mais desse autor, amante de Allan Poe. Eu conheci o Poe na facu e desde então tenho muito apreço por sua escrita. Acho ele um gênio do terror literário, indiscutivelmente.
    Ótimo post flor, bjokas.

    www.lerepensar.com

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  5. Algo que tenho que fazer ainda é ler Edgar Allan Poe.

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