Um dia depois de ontem

19 agosto 2013


Acordei com um beijo gélido, um beijo violento e brusco. Cobri o rosto para me desvencilhar daquele toque e aguardei alguns segundos para me desvencilhar também do calor da manta quente. A cortina na janela balançava conforme o vento passava, aquele vento falava, conversava comigo e naquele momento deixei de lado o meu asco por seu beijo. Deixei que o vento rondasse todo o meu corpo e cochichasse ao meu ouvido todas as suas expectativas para aquele novo dia.
Num lampejo de coragem me movimentei sem cambalear, a preguiça não mais me acompanhava o sono já havia ficado junto à manta. Rodopiei sem medo no quarto, braço abertos, queria sentir o novo dia. Já sabia que seria um dia frio, o vento me fez tirar essa conclusão, talvez chovesse, mas segundo a repórter, aqui não choverá.
Visto roupas quentes, toda a pele coberta a não ser a face, sei que vai esquentar pela tarde e que o calor será insuportável. Mas não estou inclinada a deixar algumas peças de roupa em casa.
A casa inteira ainda dorme, lá fora o sol ainda nem raiou, mamãe parece falar sozinha, ou talvez eu esteja querendo ouvir sua voz. Tomo um copo de água, li em um artigo que fazia bem tomar água depois de acordar e aguardar quinze minutos para tomar café, não consigo me lembrar qual seria o benefício dessa ação, mas o faço.
Enquanto isso encolho-me no armário e acendo o fogo. Enquanto a água ferve penso nas minhas obrigações do dia, minha rotina é sempre a mesma acordar/sair/estudar/trabalhar/dormir, é um ciclo sem fim e que de uma forma não me deixa nem entediada nem conformada. O vapor começa a subir, acabei esquecendo-me de colocar o café no coador e as colheradas de açúcar na água, mas essa é outra atividade que faço sem muito esforço, já caiu na rotina. Lembro-me quando ainda perguntava qual a medida do pó, qual a medida do açúcar, antes elas me eram um dilema.
Não estou inclinada a comer, o café é suficiente. Talvez sinta um desconforto no estômago, mas não me incomodo. Saio de casa no mesmo horário de sempre, é como se um relógio tiquetaqueasse em minha mente. O vento novamente me fala sobre o dia, agora entendi o que ele quer me dizer.
Fecho os olhos por um segundo e deixo que me beije outra vez na face. Seu zumbido dessa vez é mais claro, ele torce para que o dia seja bom. Já eu torço para que este seja mais O dia, e que eu possa apreciar o banho de luz do sol, o esplendor de cores das flores, o azul límpido do céu... Este é mais um dia, um dia depois de ontem.

                                                                    Bom dia para vocês :)

8 comentários:

  1. Que fofa... Nunca tinha lido texto seu, adorei sua escrita, é super acolhedora :)

    Beijocas,
    www.segredosentreamigas.com.br/

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  2. Ai que escrita bacana!
    É tão bom ser escritor E blogueiro, não é? Eu simplesmente adoro quando escrevo algo de que gosto e coloco lá na blog para os leitores verem.

    Vc escreve bem, heim! Deveria participar do nosso Clube de leitoras blogueiras.

    bjus
    terradecarol.blogspot.com

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  3. Nossa Raquel...Sabe,esta escrita me tocou.Sobre o nossos dias serem iguais.Sempre a mesma coisa quando nos acordamos.
    E as vezes pensamos :'Vamos fazer diferente amanhã' e o amanhã nunca é diferente,mesmo que nos queremos,não é!
    Mas nossa vontade é que o amanhã sempre seja diferente!!!!!

    Adorei ler,adorei refletir sobre o que você escreveu.E acredito que nossa esperança sempre é a ultima a morrer.
    Então acredite no dia depois de ontem! ;)

    Beijokas Ana Zuky

    Blog Sangue com Amor

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  4. Oi Raquel!

    Senti-me acordando. Um dia frio e relógio tiquetaqueando na minha cabeça. Todo um roteiro a seguir e muitas vezes esquecendo os pequenos detalhes.
    Adorei.

    Beijos

    http://poesiasprosasealgomais.blogspot.com.br/

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  5. Muito lindo o texto. Você encanta com as palavras doces...
    Beijo

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  6. Ficou muito doce mesmo o texto Raquel.

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  7. Raquel menina, vc deveria mesmo pensar em escrever um romance, pq vc tem muito manejo com as palavras querida. Adorei seu texto! Parabéns...
    Bjokas flor

    www.lerepensar.com

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