A Filha do Carrasco, por Oliver Pötzsch

11 outubro 2013

A Filha do Carrasco, por Oliver Pötzsch
Novo Século, 480 páginas (Parceria)
Jacob Kuils sabe como ninguém distinguir um inocente de um culpado. Carrasco de uma pequena cidade da Baviera, está acostumado a torturar criminosos, em busca de confissão, e a executá-los, sempre que necessário. Mas sua capacidade de julgamento é colocada em prova quando a velha parteira da cidade é acusada de crimes horrendos. O carrasco acredita em sua inocência e terá que lidar com segredos muito bem guardados, envolvendo as mais tradicionais – e poderosas – famílias da cidade, numa verdadeira corrida contra o tempo.

Já havia um tempo que eu estava reclamando por uma boa investigação, e me surpreendi com essa obra do alemão Oliver Pötzsch!
Jakob Kuils é o carrasco – executor da pena de morte – cabe a ele torturar os suspeitos até que eles confessem e auxiliar o caminho dos mesmos até a sua morte de uma forma nada agradável. Quando era novo ele via seu pai Johannes Kuils fazer esse serviço e apesar de ter decidido não tomar o lugar do pai, o destino reservou-o. Casado com Anna Maria e pai de Magdalena e dos gêmeos Georg e Barbara ele mora em Shongau; além de carrasco ele também é considerado um curandeiro por administrar medicamentos naturais e vender para os que lhe procuraram, ambas as profissões não são bem vistas, as pessoas o temem e fazem o sinal da cruz ao vê-lo.
Simon Fronwieser é filho do médico Bonifaz, é a ele que chamam quando não encontram o seu pai. Simon não terminou os estudos, mas faz mais do que o pai quando o assunto é ajudar alguém doente, e apesar das represarias de Bonifaz ele também vai a casa do carrasco para ler livros que poucos aprovam, mas que lhe proporcionam muito conhecimento.
Quando Peter Grimmer é encontrado morto Simon é chamado para ver se pode fazer algo, mas ao chegar encontra o garoto já sem vida sobre seu ombro um símbolo foi pintado, o símbolo da bruxaria. E logo a fofoca se espalha: Peter andava na casa de Martha Stechlin a parteira, e outras crianças também andavam por lá os órfãos Johannes, Anton, Clara e Sophia. Martha é taxada de bruxa, e sua casa é invadida e vandalizada, se não fosse Kuils ela seria apedrejada pelos moradores, mas ela não estava indo para um lugar melhor, Martha é levada para a prisão.
Johann Lechner, o escrivão, espera que Martha confesse e acabe logo com o burburinho pela cidade. No Conselho todos esperam dele uma solução, e se fosse por Lechner Martha já teria queimado na fogueira, mas há regras a serem cumpridas e a primeira delas é contatar as autoridades. Apesar de não ter ainda autorização, o escrivão toma a decisão de iniciar a tortura com a parteira para que ela confesse e Shongau não tenha gastos com o procurador real. Mas uma outra criança é encontrada morta, dessa vez Anton. E outra série de acontecimentos abalam a tranquilidade de Shongau: Johannes desaparece, Clara é sequestrada segundo testemunhas pelo Diabo, o armazém é incendiado e a obra do leprosário é destruído.
As pessoas acreditam que Martha está de caso com o Diabo, suposições são levantadas, alguns querem ver fogo, querem a paz de volta a cidade.
Kuils, ao contrário da maioria, acredita na inocência de Martha, assim também Simon, mas seria suficiente? Junto do carrasco e do médico acompanhamos uma investigação de tirar o fôlego, enquanto o tempo de Martha está cada vez mais curto, mais o carrasco descobre.
Quem seria o Diabo que anda deixando todos assustados? Que teria matado as crianças? E quem fora o responsável pelo leprosário destruído e o armazém queimado? Essas são perguntas que fazemos.
Nessa teia formada por Oliver somos apresentados a personagens sólidos, os detalhes nos levam ao ano de 1659 e apesar de revirar os olhos diante de algumas atitudes dos personagens me senti em Shongau, passeando em volta do rio Lech olhando feio para o carrasco e criticando sua filha Magdalena e torcendo pela paz em minha cidade. Personagens esses puritanos que mereciam mesmo um tapa!
A rigidez de Kuils me impressionou, o homem que tinha tudo para abaixar a cabeça e aceitar piadinhas, era firme e não deixava seu nome vaguear por qualquer boca, ao contrário dele sua filha Magdalena estava sempre entre os fuxicos a “messalina do carrasco”, ela que por ser filha de Kuils já ter o destino traçado deveria se casar com um carrasco, mas como se gostava de Simon? O romance de Magdalena e Simon é sucinto, mas nos deixa ansiando para saber se irão ficar juntos ou não.
Mas a grande espera mesmo é para saber de Martha, em alguns momentos o autor começar a nos confundir, não teria sido mesmo a parteira a matar as crianças? Porém essas suspeitas logo são jogadas no chão. Há muitos suspeitos, ainda mais quando a dúvida cai sobre o Conselho, sobre os homens mais importantes da cidade.
E ainda tem o Diabo das mãos de ossos, homenzinho brusco e cruel, não entendi muito bem suas motivações, há certas coisas que realmente me recuso a compreender. Quando ele colocou as mãos em Magdalena senti até dó da moça. Esse foi o personagem que mais tive medo, apesar de ter ainda uns figurões assustadores em Schongau.
Com tantos personagens fica até difícil falar de todos, mas com maestria o autor nos envolve e de uma forma crua e precisa ele nos conduz até o grande desfecho. Confesso que esperava mais do final imaginei outra situação, mas não fiquei de todo decepcionada.
Para quem gosta de uma boa investigação, com uma boa dose de humor e romance, recomendo.

14 comentários:

  1. Parace ser bem interessante. Daqueles que você não consegue parar de ler! HAHAHA
    Espero poder ler logo ):.
    Beijos
    http://narrandoansiedade.blogspot.com.br/

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  2. Oi Raquel!

    Não conhecia o livro, mas me senti um pouco em Bruxas de Salém lendo a sua resenha. Parece muito interessante e o mais legal dessas épocas antigas é que nos sentimos mesmo nesse mundo. A parte do mistério e sobre o personagem ser um carrasco me chamou a atenção.

    Beijos

    http://poesiasprosasealgomais.blogspot.com.br/

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  3. Não conhecia o livro e fiquei super curiosa, adoro investigação :))
    Brubs

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  4. Não conhecia ainda, mas, gostei da capa e do título e ainda mais da sua resenha!

    Parabéns! Já estou seguindo aqui o blog ;)

    Abraços, Samuel.
    http://recodificado.blogspot.com.br/

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  5. Oie, um ótimo fim de semana =)
    aaah, é tão bom quando pegamos um livro e ficamos surpreendida, gosto muito!
    Gostei da tua opinião, não li nada desse autor e quero conhecer sua escrita agora.
    Beliscões carinhosos da Máh-
    Cantinho da Máh@Maaria_Silvana

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  6. Parece ser um livro interessante. A capa também chama um pouco de atenção. Vou procurar saber mais.
    Beijos,
    Gabriel Lima
    meujardimliterario.blogspot.com

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  7. É triste quando um livro que esperávamos mais nos dá menos. Enfim, mesmo sendo bacana fica um sentimento de vazio. Triste demais isso.
    Eu não me interessei pelo livro não, acho que tem melhores por aí com a mesma proposta.

    memorias-de-leitura.blogspot.com

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    1. Gabriela, o livro superou minhas expectativas. O que eu disse que esperava "mais" foi em relação ao final, eu imaginava um outro desfecho, mas o que o autor propôs ficou ótimo. Eu não leio muitos livros policiais, mas esse foi diferente de todos que já li, ele é rico por se passar em uma época e em um lugar que não vivi, vale a pena a leitura.

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  8. Nem eu que não sou fã de romances policiais pôde resistir à positividade de sua resenha! Já quero ler!
    Ah, e meu blog está comemorando dois anos de existência, e está rolando uma super promoção valendo 4 incríveis livros! Passa lá depois quando tiver tempo para participar. :)
    Abraço,
    Vinícius - Livros e Rabiscos

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    1. Vinícios, obrigada pelo convite, irei lá sim.

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  9. Não conhecia esse livro! Mas sinceramente, Raquel? Não me encantou tanto assim, acho que é mais por conta do momento literário que estou, sabe? :(

    Um beijo,
    Luara - Estante Vertical

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  10. Não me interessei muito por esse livro, nem pela capa. A história não me atraiu. Como a Luara disse, é o momento literário... momento este que não está propício a livros de investigação e suspense. Focando na fantasia, aventura e sobrenatural.
    Beijo

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  11. Bem o livro parece ser bom,. porem no momento ele nao me atraiu ao ponto de coloca-lo na minha lista de desejados, mas quem sabe futuramente nao?


    xx

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  12. Olá Raquel!Olha pela capa eu não daria nada pelo livros(hahahahahahaha).Mas lendo a resenha vejo um forte,um livro ótimo. Eu mesma gosto de livros que tenham aquela pitada de suspense e mistério.O que leva a uma investigação,de quem seria o autor das atrocidades.
    Agora quando o livro algo mais para o alem(pois pelo que li da resenha tem um toque sobrenatural) ai o negocio fica mais quente.Hahahahahahahahaha
    Bom sobre o romance,para falar a verdade não me interessei,mas sim pelo mistério do livro.Já adicionei aqui na lista de leituras.E assim que possível,estarei lendo ele.

    Parabéns flor pela resenha,como sempre digo...Maravilhosa!

    Beijokas Ana Zuky

    Blog Sangue com Amor

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